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As salas com equipamentos cardiovasculares estão cada vez mais lotadas. Descubra como investir e lucrar mais com os aparelhos para atividades aeróbias

Eles sempre marcaram presença nas academias. Muitas vezes como coadjuvantes, como aquecimento para a musculação ou complemento às aulas de ginástica. Com o passar do tempo, o desenvolvimento tecnológico e a consciência da necessidade de atividades aeróbias para a promoção da saúde fizeram dos equipamentos cardiovasculares verdadeiras vedetes. Hoje, ocupam cada vez mais espaço para atender a crescente demanda de usuários.

Da pioneira bicicleta ergométrica, passando pela esteira, ao elíptico, os aparelhos cardiovasculares refletem o desenvolvimento da indústria do fitness no mundo. Em 2003, nos Estados Unidos, as atividades relacionadas aos equipamentos que mais cresceram foram: elípticos (25,40%), resistência muscular (7,70%), peso livre (6,90%) e esteiras (4,90%). Somados, elípticos e esteiras chegam a respeitável marca de 30,30% de aumento. Não existem números fechados na América Latina, mas a tendência é que acompanhe o padrão norte-americano.

Uma esteira absorve, em média, 30% do impacto na corrida. Permite medir a freqüência cardíaca. Simula atividade tanto em aclive como em declive. Esse tipo de tecnologia é comum em equipamentos de bom nível e estão entre os principais atrativos para os alunos. Os avanços, porém, vão muito além. Detalhes sofisticados, como inserção de DVD, sistema com liberação de odor e ventilação já estão disponíveis no mercado, mas ainda estão mais para sonho de consumo que realidade na América Latina. “Os produtos com inovação são denominados equipamentos conceito. São produzidos como forma de antecipar o que poderá acontecer no futuro ou definir tendências. Apenas poucas academias optam por tê-los, em pequena quantidade, como forma de incorporar o que há de mais moderno. Mas, esse tipo de equipamento não irá se encaixar no budget da maior parte dos empreendimentos”, comenta Luis Amoroso, sócio-consultor da FitBiz.

A oferta de fabricantes e importadores é variada e para todos os bolsos. O segredo é saber escolher o melhor produto para o seu negócio. Amoroso afirma que o melhor produto é aquele que cabe no orçamento (segundo o consultor, 30% a 40% do investimento inicial no negócio é direcionado para os equipamentos cardiovasculares - incluindo bike indoor - e de musculação). Mas também é preciso percepção para saber o que o cliente espera. As diferentes alternativas devem ser analisadas tendo como base a sustentação do valor percebido da academia. Ou seja, se o investimento do cliente (mensalidade) for acima da média do mercado, a expectativa é que os equipamentos sejam superiores.

De acordo com especialistas, o principal erro está na combinação de equipamentos (veja quadro com o passo a passo de como montar uma área de cardiovascular). Orlando Carneiro Junior, proprietário da Academia Átrio, de Goiânia (Goiás - Brasil), conta que exagerou nas bicicletas. “Hoje, depois de 3 anos de funcionamento, concluímos que foi cometido um erro. Se estivesse adquirindo o negócio agora, compraria a metade das bicicletas, investindo mais em esteiras e elípticos, que são os mais disputados pelos alunos”, explica. A Átrio atende 2.500 clientes e disponibiliza 56 aparelhos (entre 25 bicicletas e 17 esteiras) em uma área de 300m².

Segundo Richard Bilton, sócio-proprietário da Companhia Athletica, que atende cerca de 25 mil clientes em 10 unidades brasileiras, a realidade dos cardiovasculares nas academias mudou bastante nos últimos anos. “Antigamente havia um número enorme de bicicletas e uma restrita quantidade de esteiras devido ao custo das mesmas. Com o passar do tempo e o grande apelo das esteiras, hoje há uma relação de 40% de esteiras, 40% de bicicletas e 20% de elípticos e semelhantes”, avalia. A Companhia Athletica disponibiliza de 90 a 100 equipamentos por unidade para atividades aeróbias.

TROCA
Existem diferenças entre as grandes academias e as médias quando o assunto é atualização. Geralmente, os líderes de mercado fazem trocas estratégicas, o que significa substituir a 'frota' quando está com duas linhas de defasagem. Fazem isso aos poucos e conforme as novidades que atraem o público. Os demais investem em peças que deixam os aparelhos mais modernos e práticos, ou mesmo adquirindo equipamentos usados. Esse grupo de empresários é a principal parcela que absorve o mercado de recondicionados. Acreditam que vale mais a pena adquirir um bom produto usado do que um novo de má qualidade. De acordo com Amoroso, a única desvantagem nesse caso é encontrar a quantidade necessária para montar uma sala uniforme, de forma a não deixá-la com a aparência de 'colcha de retalhos'.

Emerson Batistella, proprietário da Trainers, em Maringá (Paraná - Brasil), comprou um stepper usado e ficou satisfeito com a relação custo-benefício. “É uma questão de oportunidade. Um amigo estava fechando a academia e o equipamento tinha apenas 2 anos de uso. Paguei 40% do valor de um novo e o aparelho está funcionando muito bem até agora, 3 anos depois da compra. Porém, se fosse uma esteira, produto que é bastante utilizado, não abriria mão da garantia de uma nova”, conclui. A Trainers, que está no mercado há 6 anos e atende 550 alunos, tem uma área de 140m² com 26 equipamentos, e vai atualizando os aparelhos gradualmente, colocando sempre os novos na melhor localização da sala e com maior acesso. Batistella reserva 10% da receita bruta anual para novos investimentos.

Para os pequenos empresários da indústria do fitness, a tática costuma ser outra. Deixam para efetuar a troca no momento de extrema necessidade, quando o equipamento está prestes a virar peça de museu. Não só nesse caso, mas para qualquer tipo de academia, a manutenção preventiva é essencial para prolongar a vida útil dos produtos. Bilton aconselha. “O ideal é que a academia esteja investindo parte de seu orçamento na manutenção e na troca dos equipamentos, não deixando que todo o parque da unidade fique obsoleto de uma única vez, o que torna inviável a troca dos mesmos de uma só vez.”

Saber negociar é uma arte, diz o ditado. Mas, quando se trata de equipamento de alto custo, passa a ser uma necessidade. A lei de oferta e procura é uma aliada dos empresários da indústria do fitness “A concorrência faz com que os fornecedores busquem alternativas para conquistar clientes, oferecendo cada vez mais vantagens. O crédito é um aspecto extremamente importante. Além do FINAME (linha de crédito do Governo Federal para equipamentos nacionais), os próprios fabricantes ou fornecedores oferecem facilidades, como o crédito direto (pagamento parcelado) ou até mesmo consórcio (recentemente lançado por um dos maiores fornecedores nacionais). Mais do que bem aceito, o crédito é uma necessidade para a maioria dos novos empreendedores que, via de regra, não possuem o capital necessário para integralizar o investimento”, comenta Luís Amoroso.

De acordo com Mauricio Musiet, diretor e fundador da SportLife, no Chile, o leasing é uma opção para a aquisição de equipamentos. “O ideal é comprar via leasing e estabelecer uma cota mensal que a academia possa pagar tranqüilamente, sem deixar apertar demais o caixa”. A academia, que tem sete unidades próprias e mais sete franquias, atende mais de 20 mil clientes, segue um modelo de 40 equipamentos cardiovasculares por local e realiza troca a cada 3 anos.

Os equipamentos cardiovasculares consomem boa parte do capital inicial de uma academia, demandam revisão freqüente e atualização periódica. Pode-se dizer que é um investimento constante. Analisando apenas por esse lado, até parece uma dor de cabeça para os empresários. Mas basta ver uma sala repleta de alunos e a intensa procura pelos aparelhos para atividades aeróbias para entender que enquanto os clientes estiverem suando, é a academia que mantém a forma.











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