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O 'prefeito do mundo' fala sobre os aspectos mais importantes de sua palestra sobre liderança na 23a Convenção Internacional da IHRSA. Por Jon Feld

CBI: Quando se fala no ataque terrorista à cidade de New York, as pessoas logo se lembram do senhor. Logo depois da tragédia, a CBI descreveu o papel que algumas academias tiveram ao ir de encontro às necessidades das pessoas naquele momento delicado, como, por exemplo, ao servir de pontos de ajuda e socorro. O senhor se lembra disso?

Giuliani: Lembro-me de academias sendo usadas para esse fim. Mas também me lembro que elas fizeram mais do que isso. As academias se transformaram no lugar ideal para ajudar as pessoas a voltarem ao normal, a uma rotina relativamente normal. Os exercícios funcionaram como um modo de reintegração. Para mim também funcionou assim. Inclusive minha esposa freqüenta academia regularmente. Depois de 11 de setembro ela parou por mais ou menos um mês, e voltar foi uma das coisas que a ajudou a retomar uma vida normal. No primeiro dia quando voltou, ela se lembra de ter pensado como é importante seguir em frente.

Recentemente os eleitores na Califórnia elegeram Arnold Schwarzenegger governador do Estado. Qual é sua opinião? É ótimo em todos os sentidos. Do ponto de vista político, acho ótimo porque sou Republicano. Mas também sou uma pessoa interessada em assuntos públicos. A Califórnia é nosso maior Estado e, portanto, tem os maiores problemas – se alguém é capaz de resolver alguns deles, então, a Califórnia poderia se tornar um modelo para o resto do país. Há uma grande possibilidade de que Arnold possa fazer isso porque vem de fora do sistema político. E para as pessoas interessadas em saúde e boa forma, Arnold é, sem dúvida, o modelo ideal. Portanto, de qualquer ponto de vista, ele é um passo positivo num estado onde as coisas não estiveram muito boas ultimamente. Foi um voto de esperança e agora a esperança tomou o lugar da depressão. Se as coisas estivessem bem na Califórnia, não existiria o sentimento de 'vamos tentar alguma coisa diferente?'. Fui eleito prefeito em 1993 porque as pessoas acreditavam que as coisas estavam tão mal em New York que quiseram arriscar com um Republicano.

No seu best-seller Leadership (Liderança), o senhor diz que liderança é um privilégio, e sugere que as pessoas buscam para ser seu líder alguém mais forte do que elas e que, ao mesmo tempo, seja humano e acessível. Quanto tempo leva para que alguém se torne um líder de sucesso no mundo dos negócios?

Um líder excepcional é aquele que possui uma gama de qualidades e atributos importantes, entre os quais estão força de vontade, coragem para tentar tomar atitudes inovadoras e diferentes. Uma pessoa pode ter sucesso ao implementar sistemas ou estabelecer rotinas capazes de fazer com que o negócio ande bem, mas se não optar por mudanças, o negócio começará, inevitavelmente, a decair. Se sua empresa não cresce, vai se deteriorar. Portanto, é preciso estar constantemente se desafiando e tentando novas coisas para fazê-la crescer. Ninguém foi melhor nisso do que Jack Welch, antigo diretor-presidente da General Electric. Welch conseguiu um crescimento sem precedentes, ano após ano, por meio do emprego de inúmeras estratégias, uma das quais foi a ênfase na mudança. Quando foi para a GE, a companhia podia ser considerada ultrapassada. Ele a transformou em um dos maiores impérios financeiros e um dos maiores conglomerados do mundo. Ele estava constantemente reinventado seu negócio. Welch era também um ótimo treinador. Pessoas assim tendem a produzir grandes 'crias' – gente capaz de ir para a frente e fazer coisas maravilhosas por si próprias.

Quando o senhor estava supervisionando o orçamento para New York, adotou uma política de prometer pouco e dar mais. E no seu livro, o senhor insiste que os executivos deveriam ser tão precisos quanto possível nas projeções de lucro. Na indústria do fitness, algumas companhias tendem a 'vender' lucros maiores aos analistas e investidores que, mais tarde, ficam decepcionados. Quais são as conseqüências tanto para as companhias como para a indústria em geral?

Este é um problema que afeta todo o mundo dos negócios atualmente nos Estados Unidos. Está havendo perda de confiança, uma violação da compreensão do que uma folha de balanço realmente é e o que lucros e prejuízos significam. Isso está acontecendo um pequeno número de companhias, mas é preciso apenas de um grupo de empresas fazendo isso para a vida fique mais difícil para todos. Administrar um negócio, principalmente quando se está investindo, requer uma certa dose de confiança. As pessoas precisam saber que os números são precisos e o que é dito para elas é verdadeiro. Você pode exagerar um pouco, mas para que as pessoas façam sua própria análise e tomem decisões baseadas em informações corretas, os números devem ser precisos.

O senhor também declarou que 'administrou expectativas' quando lançou o Work Experience Program (Programa de Experiência de Trabalho) e o Welfare Reform Initiative (Iniciativa para a Reforma do Programa de Benefícios), que atingiram mais de 60 mil pessoas. Em vez de anunciar os programas, eles simplesmente foram aplicados. Como o senhor administra 'respostas' quando as coisas parecem não ir muito bem, como, por exemplo, quando a academia não está crescendo tão rápido quanto o desejado? Como se consegue o comprometimento da equipe, sócios e vendedores?

Você precisa ter um plano idealizado para produzir todos os resultados que acredita poder alcançar. Se não acredita, altere-o, idealize um outro que realmente acredite. Então, se acontecer de não estar crescendo espetacularmente de imediato, explique o plano às pessoas. Voltarei a falar sobre esportes, porque gosto de usar analogias com o esporte. Se você entra como técnico de um time que está perdendo, ninguém espera que vença o campeonato no primeiro ano. Os torcedores esperam algum progresso, e ainda mais avanços no segundo ano. Se ao chegar no terceiro e quarto ano sem estar nem próximo de vencer um campeonato, então, você tem um problema. Nesse caso, o que é necessário? Você precisa de um programa de crescimento a longo prazo, um plano com a seguinte meta estabelecida: dentro de três ou quatro anos estaremos disputando o Superbowl ou o World Series. Se você tem um projeto no qual acredita, é razoável dizer às pessoas: 'Dê-me mais um tempo. Nós ainda não podemos mostrar resultados espetaculares'. Se puder mostrar aos outros pelo menos alguns resultados, terá seu apoio.

Isso parece ótimo em teoria. Mas que tal um exemplo real?

Bill Parcells, treinador do Dallas Cowboys, é um exemplo perfeito de alguém que está habituado a exceder as expectativas. Se o Dallas estivesse em um nível mediano de performance, Parcells teria ido ao encontro das expectativas, mas, em vez disso, eles têm 8 vitórias contra 4 derrotas. Então, não importa o que aconteça no resto do ano – não se fala em colapso total – ele conseguiu realizar com sucesso seu programa de um ano, e ganhou a confiança dos jogadores. Eles estão convencidos de que o programa funciona e que funcionará durante toda a temporada. Se você consegue algum sucesso logo no início, ele pode levá-lo por alguns anos. Ao assumir um negócio que não está indo bem, a situação não vai ser revertida em um dia, mas se puder demonstrar o que está acontecendo, haverá melhora em alguns aspectos, as pessoas irão confiar em você e vão aderir ao plano.

O senhor está comprometido com uma ideologia forte e crenças sólidas. No momento, os donos de academias – como a maior parte das pessoas envolvida no mundo dos negócios – estão enfrentando os efeitos de uma economia fraca com redução de capital disponível, enfraquecimento da demanda, competição acirrada etc. Como a suas idéias pode ajudá-los a lidar com essas adversidades?

É muito simples. É preciso ter objetivos a longo prazo. Mesmo quando se atravessa um período difícil, seus objetivos inabalados o sustentarão, motivarão e vão assegurar que seja capaz de atravessar caminhos árduos e, no final, ser bem sucedido. Quando a economia está fraca, tudo o que você tem de fazer é manter as coisas andando até que melhorem; quando a economia se recuperar, então, poderá pensar nos lucros.

Um outro atributo citado como crucial para o senhor – ou para o sucesso de qualquer líder – é uma ética de trabalho forte e quase insaciável. O senhor atribui essa convicção ao primeiro juiz com o qual trabalhou e dizia que para cada hora passada no tribunal, correspondiam a quatro horas de preparação. Como isso que o senhor chama de 'preparação incansável' o ajuda a administrar as expectativas, o desempenho e os resultados?

Isso é crucial para o processo. Uma preparação incansável talvez seja o fator mais importante para se chegar ao sucesso. É essencial para os líderes que têm de 'empurrar' todos os outros nessa preparação. Estudar, estudar, estudar! Essa atitude também é importante. Tente aprender o máximo que puder sobre a sua área. Tenha certeza de que sabe muito mais do que aquele que trabalha ao seu lado. Cada pequena informação adquirida, todo conhecimento que possui, providenciam uma margem competitiva. Os melhores times de futebol são sempre os mais bem preparados.

O senhor poderia nos dar uma prévia da sua palestra na convenção da IHRSA? Quais são as lições mais importantes que gostaria de compartilhar com os proprietários de academias? Como eles podem lucrar com a sua experiência?

Quando estávamos à frente do governo, tentamos realmente suprir as necessidades das pessoas. Acho que é igualmente importante que os operadores de academias compreendam a quem estão servindo, a quem estão tentando ajudar, e tenham certeza de que seu produto seja relevante para as necessidades dos clientes. Conhecer bem a clientela – o que precisam, querem e o que será melhor para eles – e manter-se um passo à frente. Isso é o que faz com que uma academia seja bem sucedida, e não apenas 'mais uma' no mercado. Outro ponto importante é que as pessoas, incluindo os profissionais de fitness, precisam se reorganizar, aceitar e responder apropriadamente ao fato de que as academias fazem parte da saúde preventiva. As academias estão cada vez mais sendo vistas deste modo e é vital que aqueles que conduzem essa indústria entendam isso. Nos Estados Unidos, sempre pensamos no sistema de saúde como algo que as pessoas recorrem quando estão doentes. Precisamos pensar nele como algo que pode entrar em ação antes da doença. As academias podem ajudar no fortalecimento do conceito e no desempenho do sistema de saúde.

* Texto extraído da edição de fevereiro da revista Club Business Internacional








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